A atuação dele foi revolucionária porque ocorreu em um país predominantemente agrário, escravagista e voltado para o cultivo do café e da cana-de-açúcar.
Principais contribuições de Mauá
Infraestrutura e Transportes: Criou a primeira linha férrea do Brasil (a Estrada de Ferro Mauá, no Rio de Janeiro, inaugurada em 1854) e a primeira linha de bonde do país. Promoveu a navegação a vapor no Rio Amazonas e no Rio de Prata.
Comunicações: Foi o responsável por financiar e instalar o primeiro cabo telégrafo submarino, unindo o Brasil diretamente à Europa.
Indústria de Base e Manufatura: Fundou o Estaleiro e Fundição Ponta da Areia em Niterói, que se tornou o maior complexo industrial do país na época. O local produzia navios a vapor, caldeiras, guindastes, tubos de ferro e engenhos de açúcar.
Serviços Urbanos: Trouxe a iluminação a gás para a cidade do Rio de Janeiro, substituindo os antigos lampiões a óleo de baleia.
Sistema Financeiro: Fundou o Banco Mauá, MacGregor & Cia (com filiais na América do Sul e na Europa), ajudando a financiar empreendimentos produtivos e modernizar o crédito no país.
Por que o projeto dele não se consolidou no século XIX?
Apesar de seu sucesso inicial, os empreendimentos de Mauá encontraram fortes obstáculos estruturais que levaram à falência de seus negócios:
Oposição da elite agrária: O parlamento e as elites dominantes da época viam a industrialização como uma ameaça à vocação agrícola do Brasil.
Política alfandegária e a Tarifa Silva Ferraz (1860): O governo imperial reduziu as taxas sobre produtos importados, fazendo com que a indústria nascente do Brasil não conseguisse competir com os manufaturados ingleses, mais baratos e abundantes.
Falta de apoio governamental: D. Pedro II e seus ministros preferiram manter a estabilidade baseada no modelo agroexportador e no trabalho escravo, não fornecendo crédito nem proteção às indústrias de Mauá.
O legado para o processo industrial
Mauá demonstrou na prática que a transição de uma economia colonial/agrária para um modelo urbano e industrial era viável. Ele abriu caminho para a mentalidade empresarial e para a modernização dos serviços urbanos e de infraestrutura, que voltariam a ganhar força com os investimentos vindos do café no final do século XIX e início do século XX.