quarta-feira, 15 de julho de 2026

Calendário de Rômulo

O Calendário de Rômulo (O primeiro calendário)
Segundo a tradição, o primeiro calendário romano foi criado por Rômulo, o fundador de Roma, por volta de 753 a.C. Ele era um calendário lunar bastante caótico para os padrões modernos:
Tinha apenas 10 meses: O ano começava em março (equinócio de primavera no hemisfério norte) e terminava em dezembro.
O ano tinha 304 dias: Os cerca de 61 dias de inverno simplesmente não existiam no calendário, pois não havia colheitas ou atividades militares nesse período. Era um "tempo morto".
Os meses de Rômulo:
Martius (31 dias) – Homenagem a Marte, deus da guerra.
Aprilis (30 dias) – Derivado de aperire (abrir), o desabrochar da primavera.
Maius (31 dias) – Homenagem à deusa Maia.
Iunius (30 dias) – Homenagem à deusa Juno.
Quintilis (31 dias) – "Quinto" mês.
Sextilis (30 dias) – "Sexto" mês.
September (30 dias) – "Sétimo" mês.
October (31 dias) – "Oitavo" mês.
November (30 dias) – "Nono" mês.
December (30 dias) – "Décimo" mês.
2. O Calendário de Numa Pompílio (A correção do inverno)
O segundo rei de Roma, Numa Pompílio (c. 713 a.C.), percebeu que o calendário de 10 meses era inviável para organizar a vida civil e religiosa. Ele realizou duas grandes mudanças:
Adicionou dois meses ao final do ano para preencher o vazio do inverno: Ianuarius (Janeiro, em homenagem a Jano, o deus dos portões e novos começos) e Februarius (Fevereiro, o mês da purificação, februa).
Superstição com números pares: Os romanos consideravam números pares como azarados. Por isso, Numa alterou a duração dos meses para que quase todos tivessem 29 ou 31 dias. Fevereiro acabou ficando com 28 dias por ser o mês dos mortos e de purificação (o azarado "necessário").
O ano passou a ter 355 dias. Para alinhar o calendário com o ano solar (de 365,25 dias), os sacerdotes romanos precisavam inserir um mês extra de 22 ou 23 dias (chamado Mercedonius ou Intercalaris) a cada dois anos.
O caos político: Como os sacerdotes (pontífices) tinham o poder de decidir quando inserir o mês intercalar, eles frequentemente abusavam desse poder para estender o mandato de políticos aliados ou encurtar o de inimigos. O calendário acabou ficando completamente desalinhado com as estações do ano.
3. O Calendário Juliano (A base do nosso)
Em 46 a.C., Júlio César, assessorado pelo astrônomo alexandrino Sosígenes, decidiu acabar com a bagunça. Ele aboliu o calendário lunar e adotou um calendário solar baseado no modelo egípcio:
O Ano da Confusão (46 a.C.): Para alinhar o calendário de volta com as estações do ano, esse ano específico teve que ter 445 dias.
365 dias: O ano foi fixado em 365 dias, divididos em 12 meses.
Ano Bissexto: Foi instituído um dia extra a cada 4 anos (adicionado no final de fevereiro).
Mudança de nomes:
O mês Quintilis foi rebatizado como Julius (Julho) em homenagem a Júlio César.
Mais tarde, Sextilis foi rebatizado como Augustus (Agosto) para homenagear o primeiro imperador, César Augusto.
Curiosidade: Como os romanos contavam os dias?
Os romanos não contavam os dias de forma corrida como nós (dia 1, 2, 3...). Eles faziam uma contagem regressiva em relação a três datas de referência em cada mês:
Calendas (Kalendae): O dia 1º de cada mês (origem da palavra "calendário").
Nonas (Nonae): O dia 5 ou 7 do mês.
Idos (Idus): O dia 13 ou 15 do mês (famoso pela morte de Júlio César nos "Idos de Março", ou seja, 15 de março).
Dizer "14 de março", por exemplo, para um romano era o mesmo que dizer: "dois dias antes dos Idos de Março".

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