O termo calendário persa pode se referir a diferentes sistemas ao longo da rica história da Pérsia (atual Irã). Os persas foram uma das primeiras culturas a priorizar o ciclo solar em detrimento do lunar.
1. O Calendário Persa Antigo (Império Aquemênida)
Durante o primeiro Império Persa (fundado por Ciro, o Grande, por volta de 550 a.C.), os persas utilizavam um calendário muito influenciado pelo sistema babilônico.
- Base: Lunissolar.
- Estrutura: O ano possuía 12 meses de 30 dias (360 dias no total).
- Ajuste: Para corrigir a diferença em relação ao ano solar real (de aproximadamente 365,24 dias), eles adicionavam um 13º mês (mês bissexto/intercalar) a cada seis anos.
- Nomes dos meses: Eram intimamente ligados à agricultura, colheitas e tributos (por exemplo, o mês de Adukanaisa referia-se à limpeza dos canais de irrigação).
2. O Calendário Zoroastriano (Império Sassânida)
Com a consolidação do Zoroastrianismo como religião oficial do império (especialmente no período Sassânida, a partir de 224 d.C.), o sistema mudou drasticamente:
- Base: Estritamente solar.
- Estrutura: 12 meses de exatamente 30 dias, somando 360 dias. Para alcançar o ano solar de 365 dias, adicionavam-se 5 dias extras ao final do ano (chamados de dias epagômenos ou Andar Gah).
- Nomes sagrados: Os meses e cada um dos 30 dias de um mês receberam nomes de divindades zoroastrianas (Yazatas ou anjos guardiões). O primeiro mês, por exemplo, chamava-se Farvardin (forças protetoras).
- O Ano Novo (Nowruz): O início do ano era fixado exatamente no equinócio de primavera no hemisfério norte (por volta de 21 de março).
3. O Calendário Jalali (Século XI)
Após a conquista islâmica, a Pérsia adotou oficialmente o calendário lunar islâmico para fins religiosos. No entanto, por razões administrativas e de colheita, os persas precisavam de precisão solar.
Em 1079 d.C., o sultão Jalal al-Din Malik Shah encomendou uma reforma astronômica liderada pelo famoso matemático, astrônomo e poeta Omar Khayyam.
- O grupo de astrônomos calculou a duração do ano solar com uma exatidão impressionante para a época.
- Eles criaram um sistema de anos bissextos altamente complexo baseado em ciclos astronômicos, gerando uma margem de erro de apenas 1 dia a cada 110.000 anos (em comparação, o nosso calendário Gregoriano erra 1 dia a cada 3.236 anos).
4. O Calendário Solar Hijri (O Calendário Atual)
O sistema moderno utilizado hoje no Irã e no Afeganistão é uma evolução direta do calendário Jalali de Omar Khayyam:
- Ponto de Partida (Ano 1): Assim como o calendário islâmico tradicional, ele começa no ano da Hégira (a migração do profeta Maomé de Meca para Medina em 622 d.C.). Contudo, a contagem do tempo corre em anos solares, e não lunares.
-
Distribuição dos Dias:
- Os primeiros 6 meses têm 31 dias (coincidindo com a primavera e o verão, quando o movimento da Terra ao redor do sol é mais lento).
- Os 5 meses seguintes têm 30 dias.
- O último mês (Esfand) tem 29 dias (ou 30 em anos bissextos).
tos).
Curiosidade: Diferente do calendário ocidental, onde a virada do ano ocorre sempre à meia-noite do dia 31 de dezembro, a virada do Ano Novo persa (Nowruz) acontece exatamente no instante matemático do equinócio. Isso significa que o ano novo pode começar à tarde, de manhã ou de madrugada, dependendo do ano.
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