O calendário tradicional do Japão antigo é um sistema fascinante e profundamente poético, que reflete a forte conexão do povo japonês com os ciclos da natureza e da agricultura.
Conhecido historicamente como Kyūreki (旧暦 - literalmente "calendário antigo"), esse sistema vigorou oficialmente no país até 1873, quando o Japão adotou o calendário gregoriano ocidental durante as reformas da Era Meiji.
Aqui estão os pilares que estruturavam a contagem do tempo no Japão antigo:
1. A Natureza Lunissolar
Diferente do nosso calendário puramente solar, o Kyūreki era lunissolar. Ele foi adaptado do calendário chinês por volta do ano 604 d.C.
- Meses lunares: Os meses começavam na lua nova e tinham 29 ou 30 dias.
- Meses bissextos (Uruu-tsuki): Como o ano lunar tem cerca de 354 dias (11 dias a menos que o solar), a cada dois ou três anos era adicionado um 13º mês inteiro para realinhar o calendário com as estações do ano e evitar que o inverno caísse no meio do verão.
2. As 24 Estações (Sekki) e 72 Microestações (Kō)
Para fins agrícolas e poéticos, o ano solar era dividido de forma extremamente minuciosa:
- Nijūshi Sekki (24 divisões): O ano era dividido em 24 períodos de cerca de 15 dias cada, baseados na posição do sol. Períodos famosos incluem o Risshun (início da primavera) e o Shunbun (equinócio da primavera).
- Shichijūni Kō (72 microestações): Cada uma das 24 estações era subdividida em três partes de aproximadamente 5 dias. Essas microestações tinham nomes altamente poéticos que descreviam mudanças sutis na fauna e na flora, como "O vento leste derrete o gelo" (fevereiro) ou "As primeiras flores de lótus desabrocham" (julho).
3. Os Nomes Poéticos dos Meses
Em vez de números, cada mês do calendário antigo tinha um nome clássico (Wamei) que descrevia o clima ou as atividades daquela época do ano:
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