Falar sobre o Calendário Celta é fascinante porque envolve arqueologia real, a relação daquele povo com os ciclos da natureza e, claro, algumas reconstruções modernas do neopaganismo.
Historicamente, os celtas não usavam um calendário linear como o nosso gregoriano, mas sim sistemas lunisolares (que combinavam as fases da lua com a posição do sol).
O estudo desse calendário é dividido em três grandes vertentes: o calendário arqueológico (de Coligny), os grandes festivais sazonais (a Roda do Ano) e o calendário das árvores (astrologia celta).
1. O Calendário de Coligny (A Descoberta Histórica)
A prova física mais importante de como os celtas contavam o tempo foi encontrada em 1897 na França: o Calendário de Coligny. Trata-se de uma grande placa de bronze do século II d.C., escrita em gaulês com caracteres latinos.
- Lunisolar: Ele organiza o tempo em ciclos de 5 anos (composto por 62 meses lunares).
- Meses Intercalares: Para alinhar o ciclo lunar com o ano solar (que tem cerca de 11 dias a mais), eles adicionavam um mês "extra" (intercalar) a cada dois anos e meio.
-
Luz e Escuridão: O ano celta era dividido em duas grandes metades:
- Metade Escura (inverno/outono): Iniciada no mês de Samonios.
- Metade Clara (verão/primavera): Iniciada no mês de Giamonios.
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- Dias Bons e Ruins: Os meses de 30 dias eram marcados como MAT (bons/da sorte) e os de 29 dias como ANM (infaustos/ruins).
2. A Roda do Ano (Os Grandes Festivais)
A concepção do tempo para os celtas era circular. O ano girava em torno de quatro grandes festivais de fogo (agrícolas e pastoris), complementados na era moderna pelos solstícios e equinócios.
Essas datas marcam as grandes transições da natureza (as datas abaixo referem-se ao Hemisfério Norte; no Hemisfério Sul, os praticantes costumam invertê-las em seis meses para alinhar com as estações locais):
Os Festivais de Fogo (Origem Celta Clássica)
- Samhain (31 de outubro a 1 de novembro): O ano novo celta. Marca o início do inverno e da metade escura do ano. Acreditava-se que o véu entre o mundo dos vivos e dos mortos ficava mais fino (origem do Halloween).
- Imbolc (1 de fevereiro): O festival da purificação e do retorno da luz. Celebra o fim do inverno rigoroso, o nascimento dos cordeiros e o leite fresco (associado à deusa Brígida).
- Beltane (1 de maio): O início da metade clara do ano. Celebra a fertilidade, o calor e a união da terra com o sol. Grandes fogueiras eram acesas.
- Lughnasadh ou Lammas (1 de agosto): O festival da colheita, dedicado ao deus Lugh. É a celebração da fartura e dos grãos colhidos.
Os Festivais Solares (Solstícios e Equinócios)
- Yule (Solstício de Inverno - aprox. 21 de dezembro): O nascimento do novo sol no dia mais curto do ano.
- Ostara (Equinócio de Primavera - aprox. 21 de março): Equilíbrio entre dia e noite, celebrando o renascimento da vida selvagem.
- Litha (Solstício de Verão - aprox. 21 de junho): O dia mais longo do ano, o ápice do poder do sol.
- Mabon (Equinócio de Outono - aprox. 21 de setembro): Segunda colheita e reflexão sobre o equilíbrio das forças da natureza.
3. O Calendário das Árvores (Zodíaco Celta)
Embora muito popular no esoterismo moderno, o Zodíaco das Árvores não tem um registro arqueológico estrito como o de Coligny. Ele foi estruturado principalmente pelo escritor Robert Graves em seu livro A Deusa Branca (1948), conectando o alfabeto sagrado druídico (Ogham) a 13 árvores e ciclos lunares.
Para os druidas, as árvores eram ancestrais espirituais e guardiãs de sabedoria. Nesse sistema, cada período do ano corresponde a uma árvore regente que molda a personalidade dos nascidos sob sua influência:
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