quinta-feira, 16 de julho de 2026

Calendário dos vikings

Diferente do calendário gregoriano que usamos hoje, o calendário dos vikings (e dos antigos povos nórdicos) era profundamente prático, baseado na observação da natureza, da agricultura, da navegação e nos ciclos da Lua e do Sol.

​Para os vikings, o ano não era dividido em quatro estações, mas sim em apenas duas grandes metades: o Verão (Náttleysi – a época "sem noites") e o Inverno (Skammdegi – a época dos "dias curtos").

​As Duas Estações

  • O Verão (Náttleysi): Começava em meados de abril. Era o período de intensa atividade agrícola, viagens de comércio, navegação e, claro, as famosas incursões e expedições marítimas (as incursões vikings).

  • O Inverno (Skammdegi): Começava em meados de outubro. Era o período de recolhimento familiar, focado em sobreviver ao frio extremo, realizar reparos domésticos, tecer roupas e consumir os alimentos armazenados durante o verão. A idade de uma pessoa, inclusive, era contada por quantos "invernos" ela tinha sobrevivido.

​Os 12 Meses Nórdicos

​Os vikings utilizavam um sistema lunissolar. O ano tinha 12 meses de 30 dias. Como isso somava apenas 360 dias, para ajustar o calendário ao ciclo solar real, eles adicionavam alguns dias extras no meio do verão (um período chamado Sumarauki).

​Os meses tinham nomes muito descritivos ligados ao clima ou à atividade agrícola daquela época:

​Meses de Verão (Início em meados de abril)

  1. Harpa (abril/maio): O início do verão. O nome pode estar associado a uma deusa menor ou à primavera.

  1. Skerpla (maio/junho): Período de crescimento da vegetação e cultivo. Também chamado de Eggtíd (época de colher ovos de aves selvagens).

  1. Sólmánuður (junho/julho): O "Mês do Sol", correspondendo ao solstício de verão, quando os dias eram os mais longos do ano.

  1. Heyannir (julho/agosto): O "Mês da Secagem do Feno", crucial para estocar comida para os animais antes do frio chegar.

  1. Tvímánuður (agosto/setembro): O "Segundo Mês" ou mês da colheita final.

  1. Haustmánuður (setembro/outubro): O "Mês do Outono", quando o frio começava a se aproximar rapidamente.

​Meses de Inverno (Início em meados de outubro)

  1. Gormánuður (outubro/novembro): O "Mês do Abate" ou "Mês da Carne de Gado". Era quando sacrificavam os animais que não conseguiriam sobreviver ao inverno rigoroso.

  1. Ýlir (novembro/decembro): O "Mês de Yule". É o período que antecedia a grande festa do solstício de inverno (Jól ou Yule).

  1. Mörsugur (dezembro/janeiro): O "Mês do Chupador de Gordura" ou "Mês de sugar o tutano". Referia-se à época de consumir os alimentos mais pesados e gordurosos estocados para manter o corpo aquecido no auge do inverno.

  1. Þorri (janeiro/fevereiro): Nomeado em homenagem a Þorri, uma personificação do inverno e da geada congelante.

  1. Góa (fevereiro/março): Também associado a uma divindade do inverno rigoroso e da neve.

  1. Einmánuður (março/abril): O "Único Mês", o último mês do inverno, quando a neve começava a derreter e a esperança do verão retornava.

​Os Dias da Semana e a Mitologia

​Muitas das conexões dos vikings com o tempo sobreviveram no vocabulário de línguas germânicas atuais (como o inglês e as línguas escandinavas). Os dias da semana eram dedicados aos seus principais deuses:

  • Domingo (Sunnudagr): Dia do Sol (Sól).

  • Segunda-feira (Mánadagr): Dia da Lua (Máni).

  • Terça-feira (Týsdagr): Dia de Tyr, o deus da guerra e da justiça (origem de Tuesday em inglês).

  • Quarta-feira (Óðinsdagr): Dia de Odin, o Pai de Todos (origem de Wednesday, derivado de Woden/Odin).

  • Quinta-feira (Þórsdagr): Dia de Thor, o deus do trovão (origem de Thursday).

  • Sexta-feira (Fríjadagr): Dia de Frigg (ou Freyja), deusa do amor e da fertilidade (origem de Friday).

  • Sábado (Laugardagr): Diferente dos outros, não homenageia um deus, mas significa "Dia do Banho" (lavagem), pois os vikings tinham o hábito de tomar banho e limpar as casas ritualisticamente aos sábados.

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