Diferente do calendário gregoriano que usamos hoje, o calendário dos vikings (e dos antigos povos nórdicos) era profundamente prático, baseado na observação da natureza, da agricultura, da navegação e nos ciclos da Lua e do Sol.
Para os vikings, o ano não era dividido em quatro estações, mas sim em apenas duas grandes metades: o Verão (Náttleysi – a época "sem noites") e o Inverno (Skammdegi – a época dos "dias curtos").
As Duas Estações
- O Verão (Náttleysi): Começava em meados de abril. Era o período de intensa atividade agrícola, viagens de comércio, navegação e, claro, as famosas incursões e expedições marítimas (as incursões vikings).
- O Inverno (Skammdegi): Começava em meados de outubro. Era o período de recolhimento familiar, focado em sobreviver ao frio extremo, realizar reparos domésticos, tecer roupas e consumir os alimentos armazenados durante o verão. A idade de uma pessoa, inclusive, era contada por quantos "invernos" ela tinha sobrevivido.
Os 12 Meses Nórdicos
Os vikings utilizavam um sistema lunissolar. O ano tinha 12 meses de 30 dias. Como isso somava apenas 360 dias, para ajustar o calendário ao ciclo solar real, eles adicionavam alguns dias extras no meio do verão (um período chamado Sumarauki).
Os meses tinham nomes muito descritivos ligados ao clima ou à atividade agrícola daquela época:
Meses de Verão (Início em meados de abril)
- Harpa (abril/maio): O início do verão. O nome pode estar associado a uma deusa menor ou à primavera.
- Skerpla (maio/junho): Período de crescimento da vegetação e cultivo. Também chamado de Eggtíd (época de colher ovos de aves selvagens).
- Sólmánuður (junho/julho): O "Mês do Sol", correspondendo ao solstício de verão, quando os dias eram os mais longos do ano.
- Heyannir (julho/agosto): O "Mês da Secagem do Feno", crucial para estocar comida para os animais antes do frio chegar.
- Tvímánuður (agosto/setembro): O "Segundo Mês" ou mês da colheita final.
- Haustmánuður (setembro/outubro): O "Mês do Outono", quando o frio começava a se aproximar rapidamente.
Meses de Inverno (Início em meados de outubro)
- Gormánuður (outubro/novembro): O "Mês do Abate" ou "Mês da Carne de Gado". Era quando sacrificavam os animais que não conseguiriam sobreviver ao inverno rigoroso.
- Ýlir (novembro/decembro): O "Mês de Yule". É o período que antecedia a grande festa do solstício de inverno (Jól ou Yule).
- Mörsugur (dezembro/janeiro): O "Mês do Chupador de Gordura" ou "Mês de sugar o tutano". Referia-se à época de consumir os alimentos mais pesados e gordurosos estocados para manter o corpo aquecido no auge do inverno.
- Þorri (janeiro/fevereiro): Nomeado em homenagem a Þorri, uma personificação do inverno e da geada congelante.
- Góa (fevereiro/março): Também associado a uma divindade do inverno rigoroso e da neve.
- Einmánuður (março/abril): O "Único Mês", o último mês do inverno, quando a neve começava a derreter e a esperança do verão retornava.
Os Dias da Semana e a Mitologia
Muitas das conexões dos vikings com o tempo sobreviveram no vocabulário de línguas germânicas atuais (como o inglês e as línguas escandinavas). Os dias da semana eram dedicados aos seus principais deuses:
- Domingo (Sunnudagr): Dia do Sol (Sól).
- Segunda-feira (Mánadagr): Dia da Lua (Máni).
- Terça-feira (Týsdagr): Dia de Tyr, o deus da guerra e da justiça (origem de Tuesday em inglês).
- Quarta-feira (Óðinsdagr): Dia de Odin, o Pai de Todos (origem de Wednesday, derivado de Woden/Odin).
- Quinta-feira (Þórsdagr): Dia de Thor, o deus do trovão (origem de Thursday).
- Sexta-feira (Fríjadagr): Dia de Frigg (ou Freyja), deusa do amor e da fertilidade (origem de Friday).
- Sábado (Laugardagr): Diferente dos outros, não homenageia um deus, mas significa "Dia do Banho" (lavagem), pois os vikings tinham o hábito de tomar banho e limpar as casas ritualisticamente aos sábados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário